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Governança Aumentada: quando a tecnologia amplia a capacidade humana de governar

Na Governança Aumentada a tecnologia percebe, analisa, relaciona, recomenda e pode executar determinadas tarefas controladas, mas o humano permanece responsável pela governança.

Governança AumentadaImagem gerada com uso de inteligência artificial

Há algum tempo, tive a oportunidade de desenvolver para um cliente, uma solução real de governança contratual que combinava Inteligência Artificial e blockchain com contratos inteligentes. O desafio envolvia transformar regras contratuais, indicadores e evidências em mecanismos capazes de acompanhar condições, interpretar informações e acionar respostas de forma rastreável, utilizando a tecnologia para apoiar humanos no papel de governança.

Por se tratar de um projeto sujeito a compromisso de confidencialidade, desenvolvi um vídeo demonstrativo, adaptando a arquitetura e alterando regras, dados e condições do caso original para preservar integralmente as informações do cliente e, ao mesmo tempo, tornar possível compartilhar os principais aprendizados da experiência.

O vídeo abaixo é um resumo adaptado da solução real que trabalhei, tem como cenário um contrato ESG e dois momentos ajudam a compreender uma distinção que hoje considero central para o conceito de Governança Aumentada. Em determinadas situações, a IA interpreta as evidências e o contrato inteligente aplica automaticamente uma consequência previamente definida (automação). Em outras, a tecnologia identifica a condição, estrutura as informações e encaminha o caso para avaliação e decisão humana (ampliação cognitiva).

A mesma solução demonstra diferentes níveis de autonomia e mostra que o papel da tecnologia na governança não precisa ser binário, do tipo aplica ou não aplica. A tecnologia pode tanto automatizar mecanismos objetivos quanto ampliar a capacidade humana de analisar, decidir e responder com mais contexto, velocidade e rastreabilidade. Sabemos que a tecnologia está mudando não apenas a forma como as empresas executam tarefas, mas também a maneira como percebem riscos, analisam cenários, acompanham controles e tomam decisões.

Durante décadas, grande parte da governança corporativa foi construída sobre relatórios periódicos, reuniões, políticas, indicadores retrospectivos e análises predominantemente humanas. Esses elementos continuam necessários em maior ou menor grau. O que está mudando é a capacidade tecnológica disponível para apoiar quem governa.

Blockchain, inteligência artificial generativa, análise avançada de dados, automação e, mais recentemente, agentes de IA permitem processar volumes muito maiores de informação, registrar evidência imutáveis, identificar padrões, acompanhar sinais continuamente, alcançar objetivos pré-definidos e apoiar decisões em velocidades antes inviáveis. É nesse contexto que se insere a Governança Aumentada.

A governança aumentada é a evolução da governança humana por meio do uso estruturado de tecnologias como inteligência artificial, ciência de dados, automação, agentes inteligentes e outras ferramentas para ampliar a capacidade de perceber cenários, antecipar riscos, acompanhar controles, interpretar evidências e apoiar decisões melhores, mais rápidas e rastreáveis, preservando a responsabilidade humana. A ideia central pode ser resumida em uma frase:

Governança Aumentada não significa transferir a governança para a inteligência artificial. Significa aumentar a capacidade humana de executar a governança, utilizando tecnologias, onde ela se aplicar.

Governança Aumentada não surgiu com a IA generativa

Embora o avanço recente da inteligência artificial generativa tenha tornado o conceito muito mais relevante, a expressão Augmented Governance possui antecedentes anteriores ao ChatGPT (citado aqui como a primeira IA generativa disponibilizada comercialmente) e à atual geração de agentes de IA.

Não há evidência sólida de que o termo tenha sido cunhado isoladamente por uma única pessoa ou instituição. Ele foi surgindo em diferentes campos relacionados à digitalização, regulação, sistemas de informação, governança e inteligência computacional.

Em 2021, Barbara Boschetti e Maria Daniela Poli utilizaram explicitamente a expressão Augmented Governance em artigo publicado pela Cambridge University Press. As autoras relacionam o conceito à ideia de ampliação de capacidades proveniente das ciências da computação, em analogia a tecnologias como realidade aumentada e Internet das Coisas  e tratam a governança aumentada como uma forma de ampliar a capacidade institucional de responder a ambientes complexos, mudanças rápidas e riscos sistêmicos. O trabalho também aponta como antecedentes estudos sobre infraestrutura digital e inteligência regulatória. (Cambridge University Press)

Essa perspectiva é importante porque demonstra que “aumentar” a governança não significa necessariamente automatizá-la. Significa combinar novas capacidades, instrumentos e formas de atuação para ampliar o potencial do sistema de governança.

Da governança analógica à governança aumentada

Uma das fundamentações acadêmicas mais relevantes aparece no artigo “Digital Governance: A Conceptual Framework and Research Agenda” (ScienceDirect), de Marvin Hanisch, Curtis Goldsby, Nicolai Fabian e Jana Oehmichen, publicado em 2023 no Journal of Business Research. Os autores propõem três grandes modos de governança digital:

Governança analógica >>> Governança aumentada >>> Governança automatizada

Na governança analógica, os mecanismos permanecem predominantemente humanos e centralizados, enquanto na governança automatizada, algoritmos e sistemas digitais assumem parcela muito maior da coordenação e dos mecanismos de governança. Entre os dois extremos está a governança aumentada, na qual atores humanos e algoritmos se combinam. O artigo associa esse modelo a mudanças nos mecanismos de controle, coordenação, incentivos e confiança. 

Essa visão oferece uma base importante para compreender a Governança Aumentada como um modelo híbrido, e não como substituição do humano pela máquina. A tecnologia passa a participar do sistema de governança, mas o julgamento, a responsabilidade e a estrutura institucional continuam presentes e relevantes.

Inteligência artificial ampliando decisões de governança

Outra contribuição particularmente próxima da realidade empresarial aparece no trabalho de Floris Mertens, da Ghent University, sobre o uso de inteligência artificial na tomada de decisão em conselhos de administração. Mertens descreve um nível chamado Augmented Governance Intelligence.

Nesse modelo, os diretores humanos permanecem como decisores finais, mas utilizam sistemas de IA para melhorar a base informacional das decisões. A IA pode analisar grandes volumes de dados, reduzir incertezas, classificar informações, identificar padrões, realizar simulações e produzir recomendações ou previsões.

O elemento fundamental é que a IA apoia e amplia a inteligência decisória humana, mas não possui, nesse estágio, direitos autônomos de decisão. Há supervisão humana sobre o processo (Financial Law Institute). A Governança Aumentada não começa entregando decisões à IA. Ela começa aumentando a qualidade da percepção, análise e decisão humana.

A visão da IAPP: governança digital mais integrada

A International Association of Privacy Professionals (IAPP) também utiliza a expressão Augmented Governance em seus estudos sobre governança digital organizacional. No modelo identificado pela IAPP, a organização evolui de estruturas de governança mais fragmentadas e isoladas para abordagens interdisciplinares que conectam diferentes domínios digitais.

Privacidade, cibersegurança, dados, tecnologia, inteligência artificial, jurídico e outras funções deixam de operar exclusivamente em silos e passam a compartilhar processos e estruturas de governança (IAPP.org). Aqui aparece outra dimensão importante da Governança Aumentada, ou seja, não é apenas aumentar a capacidade individual do decisor por meio da IA,  é aumentar a capacidade sistêmica da organização de governar ambientes digitais cada vez mais interdependentes. Isso é muito relevante porque riscos tecnológicos raramente respeitam fronteiras departamentais. Um agente de IA, por exemplo, pode simultaneamente envolver:

  • tecnologia; segurança da informação; proteção de dados;
  • riscos operacionais; compliance;  jurídico;
  • processos de negócio; gestão de terceiros; 
  • comportamento humano.

Governar cada dimensão isoladamente tende a produzir lacunas.

“Governar a IA” e “governar com IA” são coisas diferentes

A Governança de IA trata de como a organização controla o desenvolvimento, aquisição, implantação e uso da inteligência artificial, a pergunta aqui é: como governamos a IA? Já a Governança Aumentada trata de como inteligência artificial, dados, automação e outras capacidades digitais podem ampliar a própria capacidade de governança e a pergunta agora muda para: como podemos governar melhor utilizando inteligência computacional?

Percebe-se que esses dois movimentos são complementares, em outras palavras, uma empresa pode precisar simultaneamente governar a IA que utiliza e usar IA para aumentar sua capacidade de governar. A própria OCDE vem estudando essa segunda direção no setor público. Em seu relatório Governing with Artificial Intelligence, publicado em 2025, a organização analisa como a IA pode apoiar funções governamentais, melhorar tomada de decisão, detectar fraudes, aumentar produtividade e apoiar serviços públicos, ao mesmo tempo em que destaca riscos de transparência, accountability, qualidade dos dados e dependência excessiva dos sistemas. (OECD)

A visão da P2 Consultoria Brasil

A partir dessas referências, adotamos uma visão prática e integrada do conceito:

Governança Aumentada é a evolução da governança humana por meio do uso estruturado de inteligência artificial, dados, automação e agentes inteligentes para ampliar a capacidade de perceber cenários, antecipar riscos, acompanhar controles, interpretar evidências e apoiar decisões melhores, mais rápidas e rastreáveis, preservando a responsabilidade humana.

Essa definição incorpora três dimensões.

1. Aumento da capacidade cognitiva

A governança passa a contar com maior capacidade para interpretar grandes volumes de informação, correlacionar dados, identificar padrões, resumir evidências, comparar cenários, identificar desvios e produzir recomendações. O objetivo não é substituir julgamento humano, mas fornecer mais contexto para o julgamento.

2. Aumento da capacidade de antecipação

Grande parte da governança tradicional é retrospectiva, ou seja, o evento acontece, o indicador muda, o relatório é produzido, o comitê analisa e uma ação é definida. Com inteligência computacional, essa lógica pode se tornar mais antecipatória. Sinais externos, indicadores internos, riscos emergentes, mudanças regulatórias, desvios operacionais e outros eventos podem ser monitorados continuamente.

A governança começa a perguntar não apenas "o que aconteceu?", mas também "o que está começando a acontecer e como isso pode afetar a organização?". É nesse ponto que Governança Aumentada se conecta à Governança Antecipatória (falaremos sobre isso em outro artigo neste blog).

3. Aumento da capacidade operacional da governança

A tecnologia também pode reduzir a carga operacional necessária para manter a governança funcionando, por exemplo, consolidar indicadores, acompanhar planos de ação, verificar evidências, identificar controles vencidos, correlacionar riscos, gerar alertas e muito mais. O tempo humano deixa de ser consumido predominantemente pela coleta e organização da informação e pode ser direcionado para interpretação, decisão, diálogo e responsabilidade.

Da governança periódica à governança contínua

A análise efetuada até aqui, nos permite perceber que um dos efeitos mais relevantes da Governança Aumentada é permitir que determinados mecanismos deixem de operar apenas em ciclos mensais, trimestrais ou anuais. Por exemplo, considere um risco estratégico, onde, no modelo tradicional, a avaliação desse risco pode depender de uma reunião mensal do comitê, grupo ou time de controle.

Em um modelo aumentado, dados internos e externos podem ser acompanhados continuamente e mudanças relevantes podem gerar alertas para análise humana imediata, pois, a governança deixa de depender exclusivamente do calendário, ela passa também a responder aos eventos. Naturalmente, Isso não elimina reuniões, comitês ou auditorias, tudo isso continua importante conforme características e porte de cada empresa. O que muda é a capacidade de chegar a esses fóruns com mais informação, contexto e evidências.

Um exemplo prático

Uma empresa para implementar controles e mecanismos de acompanhamento dos riscos relacionados à cadeia de fornecedores, pode faze-lo sob dos ângulos. No modelo convencional, gestores atualizam periodicamente uma matriz de riscos, porém, em um modelo de Governança Aumentada, sistemas podem acompanhar simultaneamente:

  • atrasos de fornecedores; variação de preços;
  • notícias relevantes; alterações regulatórias;
  • indicadores financeiros; outros.

A IA pode correlacionar esses sinais e apontar que determinado fornecedor está apresentando uma combinação anormal de fatores sem precisar decidir automaticamente pelo encerramento do contrato. A solução pode apresentar ao gestor que o risco associado a este fornecedor aumentou significativamente nas últimas semanas, por conta de cinco fatores avaliados. O que estou dizendo é que a tecnologia ampliou a capacidade de governança, mas a decisão continua humana.

Governança Aumentada e agentes de IA

Os agentes de IA acrescentam uma nova dimensão a esse cenário. Sabemos que um agente inteligente pode monitorar indicadores, buscar evidências, consultar sistemas, preparar relatórios, identificar exceções ou acompanhar planos de ação. Isso significa que agentes podem ser utilizados pela própria governança, mas surge um paradoxo, pois os agentes que ajudam a governar também precisam ser governados.

É por isso que Governança Aumentada e Governança de Agentes de IA não podem ser tratadas isoladamente. Se um agente ganha autonomia para acessar sistemas, executar ferramentas ou interferir em processos, entram questões como: identidade, privilégios, escopo, autonomia, supervisão humana, limites de execução, segurança, etc.

Importante lembrar que essa dimensão se conecta à MVG Governança de Agentes de IA, metodologia criada para estruturar controles proporcionais à criticidade, ao risco e à autonomia dos agentes. (MVG Governança de Agentes de IA)

Governança Aumentada e GRC Ágil

A Governança Aumentada também se conecta diretamente ao GRC. Tradicionalmente, organizações mantêm separadamente os objetivos, processos, riscos, controles, indicadores, evidências, auditorias e planos de ação. A inteligência computacional permite criar novas relações entre esses elementos, por exemplo, um indicador pode sinalizar aumento de risco, um risco pode indicar controles que precisam ser reavaliados, uma evidência pode demonstrar falha recorrente e uma alteração regulatória pode exigir revisão de processos e controles.

Essa integração está diretamente relacionada à proposta de GRC Ágil Compartilhado desenvolvida pela P2 Consultoria Brasil, ou seja,  levar GRC para a rotina da gestão, em vez de mantê-lo como uma estrutura paralela e predominantemente documental. (GRC Ágil Compartilhado)

Governança Aumentada e Transformação Digital Governada

Há ainda uma relação direta com outro conceito adotado pela P2 Consultoria Brasil, o de  Inovação e Transformação Digital Governada. Quando uma organização transforma processos com IA, automação, dados e agentes, a própria governança precisa evoluir, pois a transformação digital muda processos, responsabilidades, fluxos de decisão, dados, riscos, conhecimento, controles e indicadores.

Portanto, não basta digitalizar a empresa. É necessário também aumentar a capacidade de governar a empresa digitalizada desde o início das transformações. A Governança Aumentada passa, assim, a ser uma capacidade importante para organizações que avançam em sua jornada de inovação e/ou transformação digital.

Governança Aumentada não significa governança autônoma

Existe uma fronteira conceitual importante que separa a governança aumentada da governança automatizada ou autônoma, já que esses termos não são sinônimos. Como vimos acima, o trabalho deMarvin Hanisch, Curtis Goldsby, Nicolai Fabian e Jana Oehmichen, mostra justamente que governança aumentada ocupa uma posição intermediária entre mecanismos predominantemente analógicos e mecanismos altamente automatizados.

Na Governança Aumentada a máquina percebe, analisa, relaciona, recomenda e pode executar determinadas tarefas controladas, mas o humano permanece responsável pela governança. Essa distinção se torna ainda mais importante com agentes de IA, pois, quanto maior a autonomia concedida ao sistema, maior deve ser a clareza sobre riscos, controles, supervisão e responsabilização.

Tecnologia não substitui responsabilização

Esse talvez seja o princípio mais importante. Sabemos que tecnologia como a IA pode produzir uma recomendação, um algoritmo pode identificar um risco e um agente inteligente pode preparar uma decisão, mas isso não significa que a responsabilidade organizacional possa ser transferida para a tecnologia, pois, governança pressupõe responsabilização.

Por isso, qualquer modelo de Governança Aumentada precisa definir claramente quem responde pela decisão, quais dados foram utilizados, quais recomendações foram produzidas, quais controles foram aplicados, quando a intervenção humana é obrigatória e quais evidências precisam ser preservadas. Mais uma vez fica evidenciado que, a inteligência computacional aumenta a capacidade de governar, ela não elimina a necessidade de alguém responder pela governança.

Uma evolução, não uma ruptura

Portanto, a  Governança Aumentada não exige abandonar os fundamentos tradicionais da governança. Conselhos, comitês, políticas, controles internos, gestão de riscos, auditoria, compliance e accountability continuam necessários, repito, conforme a complexidade e porte de cada empresa. O que muda é a capacidade desses mecanismos. Podemos representar essa evolução de maneira simples:

a. Governança tradicional: Pessoas + processos + políticas + controles

b. Governança digital: Pessoas + processos + políticas + dados + sistemas + controles digitais

c. Governança aumentada: Pessoas + processos + políticas + dados + IA + automação + sistemas + controles digitais + agentes inteligentes  + tecnologias 

Repito exaustivamente, o objetivo não é criar uma organização governada pela máquina, mas sim construir uma organização na qual quem governa tenha melhores condições para perceber, interpretar, decidir, antecipar e agir.

Conclusão

A Governança Aumentada não nasceu com a atual onda de inteligência artificial e não pertence a uma única empresa, autor ou metodologia, ela faz parte de uma evolução internacional da discussão sobre gestão, governança digital, inteligência regulatória, decisões apoiadas por IA e integração dos diferentes domínios de risco.

Pesquisas acadêmicas já descrevem formas híbridas em que humanos e algoritmos participam conjuntamente dos mecanismos de governança. Estudos sobre conselhos de administração mostram como a IA pode ampliar a base informacional das decisões mantendo humanos como decisores finais. Organizações como a IAPP discutem modelos aumentados de governança digital que reduzem silos e integram diferentes domínios. E a OCDE já analisa como a própria IA pode ser utilizada para ampliar capacidades de governar.

A contribuição da P2 Consultoria Brasil está em trazer essas ideias para uma visão aplicada à realidade das organizações, conectando GRC Ágil, inteligência artificial, transformação digital, gestão do conhecimento, governança antecipatória e agentes de IA. Nossa síntese é simples:

Governança Aumentada é usar inteligência computacional para ampliar a capacidade humana de governar, não para substituir quem governa.

Em ambientes digitais, complexos, rápidos e orientado por dados, essa capacidade tende a deixar de ser apenas uma vantagem tecnológica. Pode tornar-se uma nova capacidade organizacional.

Quer saber mais sobre este assunto e como aplicar na sua empresa? Fale conosco e descubra na prática como a governança aumentada potencializa seus processos internos.

 

Um pouco mais sobre AI Augmented Governance:

Visite: https://link.springer.com/chapter/10.1007/978-3-032-30696-8_12